HIPNOSE COMO PSICOTERAPIA ALTERNATIVA

O tema da hipnose gera muita curiosidade e ao mesmo tempo receios. Desde que Freud abandonou o uso da hipnose e voltando-se apenas para a técnica da psicanálise, muitos da área da psicologia e psiquiatria adotam a justificativa de que o uso do transe em psicoterapia é uma forma de mascarar os sintomas e que não há benefício na técnica. Será?
Se avaliarmos a forma como os casos eram abordados e tratados no início do século passado, na época de Freud, realmente esta justificativa tinha fundamento, pois se usava a técnica que se conhece por ab reação, onde procurava-se um determinado fato de ordem traumática e se fazia o paciente "esquecer" ou mascarar o que fato ocorrido, para que o sintoma desaparecesse. Mas na verdade ele se mantinha latente e procurava outro meio para se manifestar, isso quando não voltava sob a forma do mesmo sintoma, uma vez que o problema não havia sido trabalhado.

Historicamente é sabido que a principal dificuldade encontrada por Freud na análise de seus pacientes é que na época acreditava-se que para tratar de um paciente havia necessidade de se coloca-lo no estado mais profundo de hipnose possível, conhecido por sonambúlico.
No entanto apenas uma minoria é capaz de conseguir este estado. Hoje já se sabe que quanto mais leve o estado de transe melhor para se realizar uma psicoterapia (muitos pacientes chegam a ficar frustrados com a sessão, já que entram acreditando cair em um estado de sono e que não reagiriam a nada durante a sessão ou que saíssem sem lembrar de nada como ocorre com os sonhos).
Outro dado histórico é que sabemos que Freud não era lá um grande dominador da técnica hipnótica, apesar de ter estudado com os maiores nomes da época. Tudo isso fez com que ele desanimasse com os resultados que obtia com seus pacientes. Mas longe disto ser um ponto negativo, pois se não ocorresse hoje não teríamos as descobertas pertinentes da psicanálise feitas por um homem que estava além de seu tempo. Um gênio na época incompreendido e muito criticado. Desde então muito da técnica se modificou, principalmente com as técnicas desenvolvidas pelo Dr Milton Erickson. Mesclou-se as técnicas e conceitos da psicanálise convencional com as da hipnoterapia, criando-se o que se conhece por HIPNOANÁLISE.

O uso da hipnose como inibição de sintomas e tendo seu emprego logo nas primeiras sessões é muito utilizada apenas dentro da medicina e da odontologia, nos casos de dor, medo, ansiedade, relaxamento...
Hoje, o uso da hipnose não visa simplesmente eliminar os sintomas, mas buscar no inconsciente justificativas para o comportamento atual. Da mesma forma, um profissional sério não inicia qualquer tratamento pelo uso da hipnose, pois primeiro há de se conhecer todo histórico do paciente, seus problemas, justificativas, defesas e isso se faz exatamente pela técnica clássica da psicanálise. A hipnose entraria em cena nos casos em que haja uma barreira no processo de análise ou quando desejamos buscar maiores detalhes e vivências emocionais mais intensas, passíveis de serem suportadas apenas quando o paciente possui um apoio suficiente para isso através da terapia clássica.

Outro ponto que creio ser necessário esclarecer é quanto a seu uso. Muitos procuram terapia por hipnose, movidos principalmente pela sede de buscar nas terapias de regressão de idade, mais precisamente nas de vidas passadas, um meio de satisfazer suas curiosidades e de buscar soluções mágicas e místicas para seus problemas. Muitas das vezes uma terapia convencional sem uso da hipnose é mais do que suficiente e normalmente não se precisa buscar soluções em outras encarnações para problemas atuais. Agora, toda e qualquer forma de terapia, com e sem o uso da hipnose, é sempre demorada e seus efeitos não são iguais a de um analgésico que depois de uma hora observamos resultados. Encontramos resistências pessoais mesmo em estado de transe.
O terapeuta deve-se manter neutro, isento de religiosidades e crenças, pois isto obscurece seu senso crítico e de análise. Isso não significa que não apoiemos a busca pelas doutrinas religiosas como uma forma de apoio moral e psíquico. Devemos deixar a pessoa livre com suas crenças e buscar nelas o mesmo apoio que busca na terapia.

Assim, concluímos este artigo dizendo que o uso da hipnose é viável e que necessita de mais atenção por parte dos pesquisadores e profissionais brasileiros para seu uso e aplicabilidades